O Parque Indígena do Xingu podemos dizer que é uma espécie de Avatar encravado na região de transição do cerrado com a floresta amazônica. São 26 mil quilômetros quadrados de floresta densa, totalmente preservada pelos grupos indígenas que habitam o Parque. Essas etnias estão presentes na região há milhares de anos, com seu modo de vida auto-sustentável, que consiste basicamente em respeitar as Leis da natureza, consumindo apenas aquilo que é necessário a sobrevivência e a uma vida digna. Jamais ultrapassando os limites de sustentabilidade e a capacidade de regeneração da fauna e da flora da região que habitam desde antes da chegada dos exploradores, os portugueses.
Além do respeito as Leis da Natureza, que reflete diretamente na auto-sustentabilidade do seu modelo, o sistema social dos índios brasileiros beira a perfeição. Nas tribos do Xingu, todas as atividades de subsistência são coletivas. Desde o plantio das roças de mandioca e pequi, a formação dos grupos de caça e pesca, a construção das ocas e qualquer outra benfeitoria é feita em grupo (em mutirão), e os resultados compartilhados por todos. Ou seja, não existe índio sem moradia ou pagando aluguel; se um índio estiver passando fome é porque toda a tribo está passando por privações; a escola é gratuita e acessível a todos (entenda por escola de índio: os ensinamentos sobre a sua cultura passados pelos anciões, sua medicina natural, além de aprender a plantar, pescar, caçar e defender-se dos perigos da floresta); o lazer é gratuito e aberto a toda comunidade, nas festas dos índios (como o kuarup e outras) não existe ingresso ou abadá (camiseta convite, como no carnaval de Salvador); e por fim, quando um índio se casa não precisa comprar uma casa nova, o rapaz muda-se para a oca da família da moça e leva consigo apenas seus pertences de uso pessoal (como sua rede, seu arco e flechas), simples assim.
É esse modo simples e sábio de se viver que garante que a floresta continue em pé, preservada e com sua fauna protegida, abundante, como tem que ser. A onça pintada, respeitada e temida pelos índios, é como um termômetro da saúde da floresta. Por ser um predador de topo na cadeia alimentar, a sua presença em número satisfatório é uma demonstração que a fauna está em equilíbrio na região. Se as onças somem é um sinal claro que a fauna daquela região está em sério declínio.
E assim é com todo o resto, as Leis da Natureza são claras e imutáveis, e os índios as conhecem e as respeitam há milhares de anos. Enquanto nós, que nos auto-rotulamos como "civilizados", além de desconhecermos essas Leis, quando as conhecemos as desprezamos da forma mais estúpida e criminosa possível.
O Parque Indígena do Xingu sofre há décadas diversas ameaças ao seu território, seja pelo abraço da morte promovido pelas queimadas dos fazendeiros para criação de gado e plantio de soja no entorno do Parque, pela destruição das matas ciliares que deveriam proteger as nascentes do Rio Xingu (que ficam fora do Parque) e agora a construção da usina de Belo Monte, a terceira maior do mundo, que irá inundar grande parte da Reserva (ainda preservada pelos índios), além de alterar de forma irreversível a dinâmica desse rio importantíssimo, não só para os índios, como também para toda a região.
Mas há os que digam que esse é um mau "necessário", pois o País precisa crescer, gerar energia, alimentar o "progresso". Progresso? Essa palavra, mais do que nunca, vem sendo questionada por aqueles que possuem uma visão mais abrangente sobre a sustentabilidade do Planeta Terra, do que de fato é progresso ou apenas uma insana jornada da nossa sociedade em direção ao caos absoluto, da destruição total dos recursos naturais do Planeta e de suas fontes de vida, como os oceanos (com seu declínio assustador da fauna marinha), assim como a desertificação de várias regiões do Planeta (antes agricultáveis) e a escassez de água potável . A invasão do Iraque, com uma desculpa esfarrapada de que o Sadan Russen tinha armas químicas, hoje está provado que o intuito é manter o domínio político da região e assim o acesso ao petróleo extraído do seu sub-solo e a água de rios que cortam o território iraquiano, escassa para o aliado americano na região, Israel.
Felizmente o lazarento do Bush não é unanimidade. Existem aqueles que combatem esse modelo de sociedade e que vêm fazendo um barulho danado, ocupando as ruas e protestando contra as práticas de Wall Street (uma espécie de sucursal do inferno), onde se cultiva valores como a ganância, a especulação financeira, o ganhar dinheiro fácil com a miséria dos outros e por aí vai. Essa onda só veio em decorrência da eminente falência do modelo pregado até hoje, tanto nos EUA, como na Europa. E a falência não é apenas do modelo financeiro, é também do modelo energético, social e ambiental.
Se tiver interesse no assunto, continue a leitura da próxima postagem que publiquei no meu blog no mês passado. Então é isso amigos, vamos entender o mundo em que vivemos e refletir sobre o nosso modelo de sociedade. Aprofundando o debate fica claro que o índios, vistos como "ignorantes" e "preguiçosos", sempre estiveram certos.
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