Século 21 e só agora parece que o mundo está se dando conta dos prejuízos causados pelo nosso modelo socioeconômico e dos danos ambientais praticamente irreversíveis causados pela forma inconsequente como a nossa sociedade explora até hoje os recursos naturais, especialmente a água.
O canal History Channel exibiu um documentário que expos de forma detalhada a inevitável falência do nosso modelo em quatro frentes: social, financeiro, energético e ambiental.
O canal History Channel exibiu um documentário que expos de forma detalhada a inevitável falência do nosso modelo em quatro frentes: social, financeiro, energético e ambiental.
Vou tentar resumir o conteudo do documentário para melhor compreensão do assunto e logo após expor meu ponto de vista.
Modelo social – Uma sociedade que permite que seres humanos sofram e morram vitimados pela mais profunda miséria e pela fome extrema, ao mesmo tempo em que assiste a uma epidemia de obesos em seus países, de cara já dá provas da crueldade do seu modelo. Quando falamos em miséria e fome lembramos de imediato dos países africanos, mas o Brasil, por exemplo, é um dos principais produtores de alimentos do mundo e temos milhões de famintos. Até na maior potência econômica do planeta, os EUA, existem pobres e gente que também passa fome.
Modelo financeiro – O crasch da bolsa de valores de Nova York em 1929 foi o aviso, porém inocentemente desprezado. Hoje assistimos os ditos países ricos envolvidos em escandalosas crises econômicas, altos níveis de desemprego e um endividamento surreal, como os atuais 14,29 trilhões de dólares dos EUA em títulos do governo (onde a China é a principal credora, com mais de 30% do total). Alguém tem idéia do que seja essa dinheirama e de como se paga uma dívida desse tamanho?
Modelo energético – Ninguém se iluda, o mundo é e continuará dependente do petróleo como principal fonte energética (além dos produtos derivados) por mais algumas décadas, como forma de suprir a demanda sempre crescente por energia. E como sabemos, o combustível fóssil é o principal responsável pela emissão de poluentes, isso sem falar nos riscos de sua exploração, como o criminoso desastre ambiental do Golfo do México, abafado no primeiro momento pelo governo americano.
Modelo ambiental – Melhor dizer, a falta desse modelo. A nossa sociedade, excessivamente consumista, predadora dos recursos naturais e suicida. Além da devastação insana das florestas, estamos transformando o nosso Planeta num imenso lixão. Até a imensidão dos oceanos já foi afetada pela poluição, com o declínio de cardumes, destruição de corais e manguezais (berçários da vida marinha). Água potável, esse o nosso maior problema, cada vez mais escassa, é a maior preocupação dos ambientalistas. Singapura é vista como modelo de reaproveitamento de águas de esgoto para consumo humano, isso mesmo, água de cocô. Esse modelo está sendo copiado em algumas cidades americanas e em outras metrópoles do mundo, como São Paulo, que grande parte do seu abastecimento vem da represa de Guarapiranga. Na região da Guarapiranga apenas 54% das residências possuem coleta de esgoto, as demais despejam seus dejetos direto na represa. Ou seja, boa parte da população paulistana há muitos anos bebe água de cocô.
Lembrando que nos itens acima fiz um resumo do resumo dos problemas, e que as consequências desse modelo nefasto são muito maiores e determinantes para as dificuldades de sobrevivência que serão vivenciadas pelas gerações futuras. E assim sendo, vem a pergunta: qual a solução então? Isso tudo que foi descrito já é de conhecimento dos mais atentos, dos mais esclarecidos, mas qual seria a solução eficaz e definitiva?
A solução existe sim, mas infelizmente jamais será adotada pelos governos dos principais países poluidores, assim como pela grande maioria dos cidadãos do nosso planeta, criados no atual modelo, onde somos ao mesmo tempo vítimas e cúmplices passivos. Culturalmente fomos forjados para crer que só existe essa opção e a imensa maioria nunca parou para pensar em soluções e questionar o modelo em uso desde a revolução industrial.
Existe uma comunidade rural nos Estados Unidos que nos dá um valioso exemplo no seu cotidiano de respeito à natureza e suas leis. Na comunidade é proibido o uso de carros, eles ainda usam charretes e cavalos como meio de transporte, são auto-sustentáveis, produzem praticamente tudo aquilo que é necessário a uma vida digna, porém simples e sem os luxos da vida moderna.
No Brasil, no estado do Acre, existe uma cooperativa de extrativistas que sabiamente optaram por manter a floresta em pé, colhendo apenas os frutos oferecidos por ela, como a castanha do Pará e a seiva das seringueiras. Com o recurso da comercialização desses produtos, eles conseguem manter a qualidade de vida da comunidade sem a necessidade de destruição do ecossistema.
Mas para isso o cidadão “moderno” precisaria abrir mão de suas rotinas e de algumas comodidades que o nosso modelo de vida nos oferece, como carros, motos, lanchas, tevês de led, smartphones, tablets e outros tantos bens de consumo, em sua maioria descartáveis e que rapidamente tornam-se obsoletos, propositalmente. É o consumo indiscriminado desses produtos que alimenta as indústrias poluidoras e gera a necessidade de transporte desses itens, que gera mais poluição e consumo de combustíveis fósseis. Estaríamos dispostos e preparados para essa guinada em nossos hábitos? Alguns trocariam fácil de modelo, mas você e seus vizinhos teriam a mesma disposição?
Mas quando se fala em equilíbrio social, econômico e ecológico, os índios nos dão os melhores exemplos. É isso mesmo, os índios, justo eles que são rotulados de forma preconceituosa pelos ditos civilizados como atrasados, ignorantes e preguiçosos.
Voltando um pouco e relembrando fatos históricos, quando os portugueses invadiram nossas terras com a finalidade única de saquear nossas riquezas, aqui já existia uma população de cerca de 5 milhões de seres humanos, chamados erroneamente de índios. Essas etnias carregavam até aquele momento uma cultura milenar de convivência respeitosa com a natureza e suas leis, viviam dentro de um modelo auto-sustentável e num regime social justo, o verdadeiro socialismo. Pois dentro do modelo dessas etnias, se um membro passar fome é porque todos estão passando por privações. Todas as atividades desses povos são exercidas em conjunto e em prol da comunidade, que vai da pesca, aos grupos de caça, a formação de pequenas lavouras e colheita, assim como a construção das ocas, que abrigam grupos familiares inteiros. Quando um índio se casa, o rapaz muda-se para oca da família de sua mulher e leva consigo apenas sua rede e alguns pertences, como arco e flechas. Não tem essa de comprar um apartamento novo, como fazemos. Isso faz com que eles não precisem desmatar novas áreas de floresta, além de propiciar a convivência com os demais, um exercício constante de tolerância. Muito diferente de nós “civilizados” não? Que dentro do nosso modelo cada vez mais se fomenta a cultura do individualismo, onde alguns adolescentes de classe média, por exemplo, acham-se no direito de exigir dos pais um quarto só para si. Não tendo a tolerância para conviver sequer com seus irmãos do mesmo sexo, tudo em nome do direito à privacidade, muito em moda atualmente.
Nos tempos da “colonizavam” surgiu no sul do Brasil uma iniciativa fantástica concebida por padres jesuítas, que compreenderam e respeitaram a riqueza da cultura das etnias indígenas da região e assim fundaram as Missões, que foi enquanto durou um modelo riquíssimo e a ser adotado no resto do País, mas como o modelo era visto com receio pela coroa portuguesa e pela autoridade máxima da santa madre igreja, sócia e conivente com o sistema de poder daqueles tempos, ordenaram a total destruição das Missões pelos bandeirantes, que passaram para a história como heróis, pois como sabemos, escreve a história aquele que vence a guerra.
Na década de 60, com a expedição dos irmãos Villas Boas em direção ao oeste do país, até então inexplorado, foram feitos os primeiros contatos com as tribos ainda “selvagens” (entre aspas mesmo) e surgiu a idéia da criação do Parque Nacional do Xingu, com uma área de 26 mil quilômetros quadrados totalmente preservados, que até os dias de hoje abriga as etnias que conseguiram sobreviver ao genocídio promovido pelos portugueses, hoje com cerca de 5 mil índios.
Com a criação do parque foi possível viabilizar a sobrevivência e o futuro das nações indígenas do Xingu, da cultura dessas etnias e principalmente do modelo de vida desses povos, que vejo como próximo a perfeição, pois além da preservação absoluta de rios, matas e fauna da região, vivem dentro de um modelo socioeconômico desenvolvido e testado há milhares de anos, onde não existe diferenças de classes, onde todos compartilham das riquezas da floresta (sem destruí-la) de forma igualitária, onde a medicina é gratuita e de qualidade (pois o pajés e os anciões conhecem remédios para todas as doenças conhecidas pelos índios até a chegada do branco e suas doenças novas: tuberculose, sífilis, gonorréia, sarna, entre outras). A Educação, privilégio de poucos em nossa sociedade, é também gratuita entre os índios, obviamente se você tem o alcance de entender a cultura dessas etnias, além do devido respeito.
Mais alguns podem dizer assim, mas deve ser muito monótono viver no meio do mato. Enganam-se, assim como nossas festas tradicionais, como o São João, por exemplo, que tem origem no costume ancestral de se festejar boas colheitas, as aldeias também têm as suas festas, seja para comemorar uma boa colheita, como por motivos de crença, como é o Kuarup, um grande evento, uma espécie de cerimonial de despedida dos mortos naquele ano, encerrado após as lutas de huka huka, meio parecida com a luta greco-romana.
A Rede Globo está exibindo uma série no Fantástico que tenta reproduzir a jornada dos irmãos Villas Boas e promete ao final da série a chegada ao Parque Indígena do Xingu. Tomara que a emissora aproveite o ensejo para mostrar ao País o bom exemplo do modelo social das nações indígenas do Xingu e a preservação do ecossistema da área da reserva, em contraste com a devastação em volta dos limites do parque, retratada na série: Xingu, terra ameaçada.
Segue o link para a chamada da série:
http://www.youtube.com/watch?v=2YFyfY3PTPk&feature=related
Modelo social – Uma sociedade que permite que seres humanos sofram e morram vitimados pela mais profunda miséria e pela fome extrema, ao mesmo tempo em que assiste a uma epidemia de obesos em seus países, de cara já dá provas da crueldade do seu modelo. Quando falamos em miséria e fome lembramos de imediato dos países africanos, mas o Brasil, por exemplo, é um dos principais produtores de alimentos do mundo e temos milhões de famintos. Até na maior potência econômica do planeta, os EUA, existem pobres e gente que também passa fome.
Modelo financeiro – O crasch da bolsa de valores de Nova York em 1929 foi o aviso, porém inocentemente desprezado. Hoje assistimos os ditos países ricos envolvidos em escandalosas crises econômicas, altos níveis de desemprego e um endividamento surreal, como os atuais 14,29 trilhões de dólares dos EUA em títulos do governo (onde a China é a principal credora, com mais de 30% do total). Alguém tem idéia do que seja essa dinheirama e de como se paga uma dívida desse tamanho?
Modelo energético – Ninguém se iluda, o mundo é e continuará dependente do petróleo como principal fonte energética (além dos produtos derivados) por mais algumas décadas, como forma de suprir a demanda sempre crescente por energia. E como sabemos, o combustível fóssil é o principal responsável pela emissão de poluentes, isso sem falar nos riscos de sua exploração, como o criminoso desastre ambiental do Golfo do México, abafado no primeiro momento pelo governo americano.
Modelo ambiental – Melhor dizer, a falta desse modelo. A nossa sociedade, excessivamente consumista, predadora dos recursos naturais e suicida. Além da devastação insana das florestas, estamos transformando o nosso Planeta num imenso lixão. Até a imensidão dos oceanos já foi afetada pela poluição, com o declínio de cardumes, destruição de corais e manguezais (berçários da vida marinha). Água potável, esse o nosso maior problema, cada vez mais escassa, é a maior preocupação dos ambientalistas. Singapura é vista como modelo de reaproveitamento de águas de esgoto para consumo humano, isso mesmo, água de cocô. Esse modelo está sendo copiado em algumas cidades americanas e em outras metrópoles do mundo, como São Paulo, que grande parte do seu abastecimento vem da represa de Guarapiranga. Na região da Guarapiranga apenas 54% das residências possuem coleta de esgoto, as demais despejam seus dejetos direto na represa. Ou seja, boa parte da população paulistana há muitos anos bebe água de cocô.Lembrando que nos itens acima fiz um resumo do resumo dos problemas, e que as consequências desse modelo nefasto são muito maiores e determinantes para as dificuldades de sobrevivência que serão vivenciadas pelas gerações futuras. E assim sendo, vem a pergunta: qual a solução então? Isso tudo que foi descrito já é de conhecimento dos mais atentos, dos mais esclarecidos, mas qual seria a solução eficaz e definitiva?
A solução existe sim, mas infelizmente jamais será adotada pelos governos dos principais países poluidores, assim como pela grande maioria dos cidadãos do nosso planeta, criados no atual modelo, onde somos ao mesmo tempo vítimas e cúmplices passivos. Culturalmente fomos forjados para crer que só existe essa opção e a imensa maioria nunca parou para pensar em soluções e questionar o modelo em uso desde a revolução industrial.
Existe uma comunidade rural nos Estados Unidos que nos dá um valioso exemplo no seu cotidiano de respeito à natureza e suas leis. Na comunidade é proibido o uso de carros, eles ainda usam charretes e cavalos como meio de transporte, são auto-sustentáveis, produzem praticamente tudo aquilo que é necessário a uma vida digna, porém simples e sem os luxos da vida moderna.
No Brasil, no estado do Acre, existe uma cooperativa de extrativistas que sabiamente optaram por manter a floresta em pé, colhendo apenas os frutos oferecidos por ela, como a castanha do Pará e a seiva das seringueiras. Com o recurso da comercialização desses produtos, eles conseguem manter a qualidade de vida da comunidade sem a necessidade de destruição do ecossistema.Mas para isso o cidadão “moderno” precisaria abrir mão de suas rotinas e de algumas comodidades que o nosso modelo de vida nos oferece, como carros, motos, lanchas, tevês de led, smartphones, tablets e outros tantos bens de consumo, em sua maioria descartáveis e que rapidamente tornam-se obsoletos, propositalmente. É o consumo indiscriminado desses produtos que alimenta as indústrias poluidoras e gera a necessidade de transporte desses itens, que gera mais poluição e consumo de combustíveis fósseis. Estaríamos dispostos e preparados para essa guinada em nossos hábitos? Alguns trocariam fácil de modelo, mas você e seus vizinhos teriam a mesma disposição?
Mas quando se fala em equilíbrio social, econômico e ecológico, os índios nos dão os melhores exemplos. É isso mesmo, os índios, justo eles que são rotulados de forma preconceituosa pelos ditos civilizados como atrasados, ignorantes e preguiçosos.
Nos tempos da “colonizavam” surgiu no sul do Brasil uma iniciativa fantástica concebida por padres jesuítas, que compreenderam e respeitaram a riqueza da cultura das etnias indígenas da região e assim fundaram as Missões, que foi enquanto durou um modelo riquíssimo e a ser adotado no resto do País, mas como o modelo era visto com receio pela coroa portuguesa e pela autoridade máxima da santa madre igreja, sócia e conivente com o sistema de poder daqueles tempos, ordenaram a total destruição das Missões pelos bandeirantes, que passaram para a história como heróis, pois como sabemos, escreve a história aquele que vence a guerra.Na década de 60, com a expedição dos irmãos Villas Boas em direção ao oeste do país, até então inexplorado, foram feitos os primeiros contatos com as tribos ainda “selvagens” (entre aspas mesmo) e surgiu a idéia da criação do Parque Nacional do Xingu, com uma área de 26 mil quilômetros quadrados totalmente preservados, que até os dias de hoje abriga as etnias que conseguiram sobreviver ao genocídio promovido pelos portugueses, hoje com cerca de 5 mil índios.
Com a criação do parque foi possível viabilizar a sobrevivência e o futuro das nações indígenas do Xingu, da cultura dessas etnias e principalmente do modelo de vida desses povos, que vejo como próximo a perfeição, pois além da preservação absoluta de rios, matas e fauna da região, vivem dentro de um modelo socioeconômico desenvolvido e testado há milhares de anos, onde não existe diferenças de classes, onde todos compartilham das riquezas da floresta (sem destruí-la) de forma igualitária, onde a medicina é gratuita e de qualidade (pois o pajés e os anciões conhecem remédios para todas as doenças conhecidas pelos índios até a chegada do branco e suas doenças novas: tuberculose, sífilis, gonorréia, sarna, entre outras). A Educação, privilégio de poucos em nossa sociedade, é também gratuita entre os índios, obviamente se você tem o alcance de entender a cultura dessas etnias, além do devido respeito.
Mais alguns podem dizer assim, mas deve ser muito monótono viver no meio do mato. Enganam-se, assim como nossas festas tradicionais, como o São João, por exemplo, que tem origem no costume ancestral de se festejar boas colheitas, as aldeias também têm as suas festas, seja para comemorar uma boa colheita, como por motivos de crença, como é o Kuarup, um grande evento, uma espécie de cerimonial de despedida dos mortos naquele ano, encerrado após as lutas de huka huka, meio parecida com a luta greco-romana.A Rede Globo está exibindo uma série no Fantástico que tenta reproduzir a jornada dos irmãos Villas Boas e promete ao final da série a chegada ao Parque Indígena do Xingu. Tomara que a emissora aproveite o ensejo para mostrar ao País o bom exemplo do modelo social das nações indígenas do Xingu e a preservação do ecossistema da área da reserva, em contraste com a devastação em volta dos limites do parque, retratada na série: Xingu, terra ameaçada.
Segue o link para a chamada da série:
http://www.youtube.com/watch?v=2YFyfY3PTPk&feature=related